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“Sem recursos não é fácil garantir a inserção dos idosos”, diz professora da Universidade do Porto

Alexandra Lopes participa no dia 8 de março do 2º Congresso Anual do IBE, com o painel “Exclusão/Inclusão Social”

 

O processo de envelhecimento de uma boa parte da população da União Europeia obriga a se pensar em novas estratégias para combater a vulnerabilidade do idoso e permitir a sua inserção social. A experiência de Portugal diante desta realidade, cujas consquências são agravadas pela crise europeia, será debatida pela professora doutora Alexandra Lopes (Universidade do Porto) durante o 2º Congresso Anual do Instituto de Estudos Brasil Europa (IBE), que ocorre de 6 a 8 de março, em Belém (PA).

Alexandra Lopes participará no dia 8 de março, na UFPA, da mesa “Exclusão/Inclusão Social”, que vai analisar os vários aspectos da exclusão social (étnica, etária, social e cultural), buscando entender os fatores geradores destes processos e propor políticas mitigatórias. Ao lado dela estarão os estudiosos Amélia Camarano (IPEA), Roberto Vecchi (Università de Bologna, clique aqui) e Kabengele Munanga (Movimento Negro).

Mestre em Sociologia e doutora na London Scholl of Economics, na especialidade de Política Social, Alexandra Lopes desenvolveu tese sobre as implicações do envelhecimento demográfico para os sistemas de organização do bem-estar social. Durante o 2º Congresso do IBE, ela vai discutir de que forma o avanço da idade pode agravar as dinâmicas de exclusão. “O que ocorre com os idosos é que muitas vezes eles já vêm de uma situação anterior de vulnerabilidade que se agrava com a decadência física e social”, explica. “Muitas vezes por estar excluído do mercado de trabalho, o idoso é tido como dispensável das dinâmicas sociais.”

O último Censo Demográfico realizado em Portugal mostrou que 20% da população tem mais de 65 anos de idade, o que traz um desequilíbrio que segundo a estudiosa é preocupante. “Hoje na União Europeia a questão demográfica ocupa o topo das prioridades da agenda. E as discussões têm girado em torno de dois temas dominantes: a reforma dos sistemas de pensão e os cuidados dispensados aos idosos. Há uma certa urgência para se introduzir reformas no sistema para não entrar em falência”, avalia.

Uma das alternativas que Portugal coloca em prática é o prolongamento da vida ativa, ou seja, um tempo maior do trabalhador no mercado de trabalho. Segundo ela, o discurso político para tentar amenizar a resistência a este processo é que este é o caminho inevitável.

Paralelo com o Brasil

Alexandra Lopes acredita que os erros e acertos da União Europa no enfrentamento do problema demográfico pode servir de exemplo ao Brasil, que nos próximos anos irá testemunhar de forma mais acelerada o envelhecimento de sua população. Na Europa a estudiosa acredita que a solução pode estar em uma nova política de imigração, com atração de pessoas mais jovens.

No Brasil, contudo, a professora da Universidade do Porto lembra que é preciso considerar o fator econômico. “O Brasil ainda tem fortes assimetrias e a questão da exclusão social não pode ser dissociada da pobreza da população idosa”, afirma, lembrando que Portugal agora também enfrenta uma crise econômica com reflexos na vida da população idosa. “Quando se vive em situação de pobreza é difícil falar de outras discussões. Esta é uma questão crucial, que afeta até mesmo a saúde dos idosos. Sem recursos não é fácil garantir níveis de participação mínima na sociedade”, argumenta.

Outra abordagem que Alexandra Lopes quer trazer para o painel do Congresso é a discriminação em uma sociedade cada vez mais veloz, imediatista e que cultua a juventude. “Qual o lugar do idoso diante deste quadro?”, questiona. Veja abaixo a programação completa do evento. 

Serviço:

2º Congresso Anual do Instituto Brasil Europa (IBE)

Local: Centro de Eventos Benedito Nunes, Câmpus Belém da UFPA.

Data: entre 6 e 8 de março

Mais informações podem ser obtidas no site http://congressoanualibe.com.br/.

Programação

Primeiro dia (06/03/2013)

19h às 20h

Coordenador do congresso anual – Prof. Flavio Nassar, UFPA

Coordenador do projeto do IBE – Prof. Moacyr Martucci – USP

Embaixadora da União Europeia no Brasil – Ana Paula Zacarias

Reitor da UFPA – Carlos Edilson de Almeida Maneschy

20h às 21h

Conferência de abertura: convidado especial: Prof. Clélio Campolina Diniz (Reitor da Universidade Federal de Minas Gerais)

Tema: Globalização e a Amazônia: exclusão ou inclusão?

Segundo dia (07/03/2013)

08:30h/10:30h

Mesa 1 – Perspectivas de inclusão

Descrição da mesa: Objetivo da mesa de discussão: apresentar diferentes cenários que se colocam no ambiente da crise mundial para a inclusão dos excluídos e dos novos excluídos criados pela própria crise.

-Emanuel Matos (UFPA);

-Cássio Pereira (IPAM);

-Mário Ribeiro (UFPA).

10:30h/ 11:00h

Coffee Break

11h/13h

Mesa 2 – Exclusão/Acesso à informação

Descrição da mesa: Na era das redes sociais e da banalização do uso da internet, muitos segmentos da sociedade permanecem excluídos do direito à informação. O objetivo da mesa é avaliar a importância de políticas publicas que favoreçam o acesso a informação, além de discutir o direito de propriedade na rede e softwares livres.

-Anaíza Gaspar (IBICT);

-Augusto Albuquerque (Delegação da União Europeia no Brasil);

-Luiz Otávio Pimentel (UFSC);

-Alexandre Pacheco da Silva (FGV).

13:00h/ 14:30h

Almoço

15h/17h

Mesa 3 – Exclusão-inclusão econômica

Descrição da mesa: Discutir os resultados das politicas de distribuição de renda do governo brasileiro na última década através do aumento real do salário mínimo, do programa fome zero e dos diversos programas de bolsas: família, escola, etc. Discutir experiências de desenvolvimento regional como formas de inclusão econômica e social.

- Ana Paula Zacarias (embaixadora)

- Jorge Castro (IPEA);

-Tullo Vigevani (UNESP);

-David Carvalho (UFPA)

Encerramento do dia.

Terceiro dia (08/03/2013)

09:00h/11:30h

Mesa 4 – Exclusão-inclusão social

Descrição da mesa: Analisar vários aspectos da exclusão social: étnica, etária, social e cultural, buscando entender os fatores geradores destes processos e assim propor políticas públicas mitigatórias.

-Amélia Camarano (IPEA);

-Alexandra Lopes (Universidade do Porto);

-Roberto Vecchi (Università di Bologna);

-Kabengele Munanga (Movimento Negro).

11:30h/13:00h

Almoço

13:00h/15:30h

Mesa 5 – O mundo fala da Amazônia e a Amazônia fala para o mundo

Descrição da mesa: Esta mesa pretende ser uma oportunidade para que pesquisadores e agentes políticos e culturais das causas amazônicas possam combater o discurso estereotipado, que tanto a imprensa como a academia costumam ter sobre a região, normalmente vista como patrimônio natural em destruição, desconsiderando que a região abriga atualmente uma população de 24 milhões de pessoas, sendo 80% nas cidades e que há 500 anos é palco de encontros e conflitos de grupos humanos. Este painel será complementado por uma exposição fotográfica de jovens fotógrafos paraenses.

-Noé Carlos Barbosa Von Atzingen (Fundação Casa da Cultura de Marabá);

-Flávio Sidrim Nassar (UFPA).

15:30h/16:00h

Encerramento

Prof. Flavio Nassar – Universidade Federal do Pará

Prof. Moacyr Martucci – Coordenador do IBE/Universidade de São Paulo.

 

(Fonte: Assessoria de Comunicação do IBE)