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“O que cremos para o futuro da humanidade é o que une Brasil e UE”, afirma embaixadora

A convergência em temas como valores democráticos, respeito às liberdades e aos direitos humanos é uma das principais razões para a proximidade histórica entre o Brasil e a União Europeia. A avaliação da embaixadora da UE no Brasil, Ana Paula Zacarias, é de esta característica uniu-se ao destaque que o País ganhou nos últimos anos no cenário internacional e resultou na parceria estratégica firmada em 2007. “O que cremos para o futuro da humanidade é o que une o Brasil e a Europa”, resumiu.

Ana Paula Zacarias participou do 2º Congresso Anual do Instituto de Estudos Brasil Europa (IBE), ocorrido em março de 2013, e comentou os resultados colhidos com esta parceria. Ela destacou, por exemplo, o incremento das relações comerciais com o Brasil, uma vez que seu comércio com a UE representa 37% de todo o comércio do bloco com a América Latina. 

De acordo com a embaixadora, estas relações se fortaleceram principalmente nas áreas de investimentos e exportações. “Tudo o que tem a ver com Ciência e Tecnologia e Educação tem contribuído para o crescimento de nosso relacionamento. Primeiro porque o Brasil investiu muito nessas áreas e está se desenvolvendo como um parceiro que permite ter projetos de mão dupla com a União Europeia”, disse.

Na entrevista abaixo, a embaixadora explica também qual o papel desempenhado pelo IBE no desenvolvimento do ensino superior brasileiro. "O  IBE tem um papel muito relevante no relacionamento estratégico entre UE e Brasil", avaliou.

- Brasil e União Europeia sempre tiveram laços importantes, mas nos últimos anos eles se fortaleceram ainda mais. Por que isso ocorreu?

As relações entre a UE e o Brasil começaram a se incrementar do ponto de vista econômico. Tem havido um crescente contato comercial e de investimentos, quer das empresas europeias que atuam no Brasil, quer das brasileiras na Europa. Isso em decorrência da internacionalização da economia brasileira. Mas houve também um crescimento no nosso relacionamento político. Em 2007 a UE decidiu convidar o Brasil a ser seu parceiro estratégico. A UE só tem 10 parceiros estratégicos, e o Brasil é um deles. Dentre os outros são os EUA, Canadá, México, Japão, Índia, Rússia, China, África do Sul.

- Por que o Brasil foi um dos escolhidos?

Porque ele se transformou na 6ª ou 7ª economia mundial e aumentou o seu protagonismo em termos internacionais - incluindo sua ambição de ter um lugar no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Nós também dividimos os mesmos valores da democracia, da defesa dos direitos humanos e a premissa do Estado de Direito. É o que cremos para o futuro da humanidade que une a UE e o Brasil.

- Há áreas que o Brasil se destaca economicamente e a Europa tem maior interesse?

Nossa relação tem crescido muito nas áreas de investimentos e exportações. Estamos negociando um acordo de livre comércio da UE com o Mercosul e o Brasil tem um papel muito fundamental neste contexto. Não podemos também esquecer que o Brasil é o maior exportador de produtos agrícolas para a UE. Isso é um elemento muito importante. Por outro lado, tudo que tem a ver com Ciência e Tecnologia e Educação tem contribuído para o crescimento de nosso relacionamento. Primeiro porque o Brasil investiu muito nessas áreas e está se desenvolvendo como um parceiro que permite ter projetos de mão dupla com a União Europeia. Ou seja, são projetos em que ambos os blocos colocam fundos, financiamentos, cientistas e instituições de pesquisa para fazer trabalho conjunto. Um exemplo é a criação de uma base de dados sobre doença de Chagas, em nível de cooperação técnico-científica.

- Qual papel do IBE nesse contexto?

O IBE tem um papel muito relevante no relacionamento estratégico entre UE e Brasil por duas razões básicas. Uma porque o IBE pode promover o debate sobre as políticas públicas do Brasil e da UE em relação a temas que são centrais para os dois interlocutores. Por exemplo, o envelhecimento da população, desenvolvimento sustentável, democracia e governança, desenvolvimento tecnológico e científico e a diversidade cultural. E desse diálogo, que nasce entre universidades, podem sair respostas muito interessantes a estas questões. O segundo aspecto é que o IBE é um promotor de redes de instituições de ensino superior. E ao criar essas redes, o IBE está promovendo o desenvolvimento do ensino superior no Brasil e a cooperação com a Europa. Ao mesmo tempo ele ajuda na mobilidade dos investigadores, dos estudantes e professores. Só esses dois aspectos já nos dão a dimensão do que o instituto pode fazer. Agora o IBE está criando simultaneamente um Doutorado que pode fomentar tudo isso. Ele será um elemento importante para o futuro do IBE. O que queremos? Queremos que quando terminar o financiamento do projeto pela Comissão Europeia, que se mantenha vivo e ativo. E para isso ele tem de ser capaz de se assegurar.

 

(Fonte: Assessoria de Comunicação do IBE)