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Revista da UFMG abre chamada de artigos para novo número; água é o tema da edição

Objeto de pesquisa e de processos de inovação científica e tecnológica e fonte de inspiração de várias formas de manifestações artísticas, a água é o tema a ser tratado no segundo número da Revista da Universidade Federal de Minas Gerais deste ano (volume 20, nº 2). A publicação iniciou na semana passada o prazo para submissão de artigos, que poderão ser enviados à comissão editorial até 31 de outubro.

Relançada em dezembro de 2012, depois de interrupção de mais de 40 anos, a Revista inaugurou sua nova fase com número dedicado ao corpo. Está em fase de produção gráfica a primeira edição deste ano (volume 20, nº 1), que aborda o tema cidade, com previsão de lançamento para agosto.

“O assunto (água) já compunha a primeira lista de grandes temas elaborada pelo conselho editorial, quando se planejava a retomada da publicação”, afirma a professora Heloisa Soares Moura Costa, do Instituto de Geociências, integrante do conselho e editora-executiva da edição atual da Revista. Ela lembra que os recursos hídricos ocupam, em 2013, lugar central na agenda de discussões de entidades internacionais e multilaterais como a Organização das Nações Unidas (ONU).

Além disso, a água também tem sido tema de debates que consideram aspectos cruciais como governança (mecanismos de gerenciamento dos recursos hídricos), quantidade, qualidade e distribuição, valoração econômica, biodiversidade aquática e recuperação de rios e lagos, ressalta o professor Francisco Barbosa, do Instituto de Ciências Biológicas (ICB), que é vice-coordenador do INCT Acqua, sediado na UFMG.

Barbosa avalia que os artigos submetidos à Revista da UFMG possam tratar também dos impactos das mudanças climáticas, a segurança alimentar ligada a gestão hídrica, a economia verde, os riscos de desastres naturais, os fatores globais de degradação da qualidade dos mananciais e formação de recursos humanos para lidar com todas essas problemáticas.

“Outra questão crucial está vinculada à importância de gestão da água que se adapte a novas situações e que inclua as populações locais”, completa Barbosa, que coordena o Laboratório de Limnologia, Ecotoxicologia e Ecologia Aquática do ICB.

Olhar antropológico sobre a cidade

Para além das visões usuais (planejamento, saneamento, gestão de resíduos, problemas urbanos, dentre outras), o próximo número da Revista da UFMG aborda a cidade sob olhar antropológico, como lugar de expressões e vivências diversas, e mesmo em suas ligações com a arte – a edição vai abrigar manifesto poético do Grupo Poro. A seleção de textos – são 18, incluindo entrevista com o crítico e historiador de arte Frederico Morais – destaca ainda a cidade vista sob o viés da economia política.

Os convidados estrangeiros são o filósofo espanhol Francisco Jarauta, da Universidade de Murcia, e o geógrafo americano Edward Soja, da Universidade da Califórnia em Los Angeles (Ucla) e da London School of Economics. Soja tem produzido importante reflexão teórica sobre os discursos da metrópole contemporânea, de acordo com o professor Roberto Monte-Mór, da Faculdade de Ciências Econômicas (Face). “Depois de defender que o espaço substituiu o tempo e a história como dimensão dominante, em função da sincronicidade do acesso à informação, Edward Soja tem apresentado os grandes discursos sobre a metrópole contemporânea, marcada pela globalização, pela fragmentação e pela violência”, diz Monte-Mór, que foi orientado por Soja na Ucla. “Ele mostra que a centralidade da cidade é mais histórica que se pensava, tudo sempre foi construído a partir dela."

Ainda segundo o professor da Face, tem crescido exponencialmente a relevância da discussão sobre as questões urbanas. “Economistas e geógrafos se debruçam sobre o tema, convencidos de que a economia se organiza e se articula no âmbito da cidade, que é o espaço da inovação, da experimentação, da concentração de cultura, riqueza e pobreza”, diz Monte-Mór.

Retomada

Criada em 1929, a Revista da UFMG teve sua circulação interrompida em 1969. Depois de seu relançamento, em 2012, sua periodicidade passou a ser semestral. Produzida com apoio do Instituto de Estudos Avançados Transdisciplinares (Ieat) e do Centro de Comunicação (Cedecom), a nova versão da Revista chegou à comunidade depois de mais de um ano de debates para definição de seus objetivos e de sua linha editorial.

A publicação conta com comissão editorial que, a cada número, se articula a um grupo formado de acordo com o tema escolhido para o dossiê central.

Segundo reconstituição histórica feita pelo professor da Face e pró-reitor de Planejamento, João Antonio de Paula, editor e membro do conselho editorial da Revista, a publicação surgiu como relatório das atividades e decisões de congregações e conselhos, com periodicidade irregular. Até os anos 1950, podem ser encontrados poucos artigos acadêmicos em apenas alguns números. Nessa mesma década, a Revista ganhou novo perfil, com mudança editorial que conferiu a ela caráter de publicação científica.

De acordo com a professora Heloisa Moura Costa, a publicação é aberta também à contribuição de estudantes e a abordagens não científicas, como aquelas com base na literatura e nas artes visuais, por exemplo.

O volume 19, lançado em dezembro de 2012, pode ser adquirido nas livrarias da Editora UFMG e no Museu Casa do Padre Toledo, em Tiradentes (MG), ao preço de R$ 15. A edição completa e as informações referentes ao processo de submissão de artigos e normas para publicação de manuscritos estão disponíveis no site da Revista - https://www.ufmg.br/revistadaufmg/.

 

(Fonte: Agência de Notícias da UFMG)