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Agências de fomento discutem integridade e ética em estudos científicos

A qualidade dos estudos científicos e possíveis más condutas de pesquisadores colocaram em alerta as agências de fomento. O tema foi debatido no 6º Fórum Mundial de Ciência (FMC) 2013 nesta segunda-feira (25), no Rio de Janeiro. A integridade de pesquisas, segundo os palestrantes, é fundamental para a credibilidade da ciência.

De acordo com Paulo Beirão, um dos coordenadores do Conselho Global de Pesquisa (GRC, na sigla em inglês), é impossível afirmar se houve um aumento nos casos de fraudes, mas há uma probabilidade maior de detecção de “má fé e erros comuns” nas atividades de pesquisa e desenvolvimento. O conselho é a entidade representativa das agências de fomento no mundo.

“Qualquer artigo publicado hoje está sujeito a ser checado e verificado depois”, explicou. “O problema é que, apesar desse mecanismo de autoverificação, há custos, ou seja, uma informação incorreta pode gerar pesquisas com resultados incorretos. Isso gera desperdício de dinheiro e esforço humano”.

Por iniciativa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCTI), o GRC votou, aprovou e apresentou, em maio deste ano, um documento que traz seis princípios básicos para uma conduta correta na pesquisa científica, a serem seguidos pelas agências de fomento.

“Essas medidas estão divididas em três vertentes, basicamente”, informou. “A primeira é sobre ações educativas e boas práticas na ciência. A segunda trata de como lidar com casos de má conduta na investigação científica. O último aspecto é sobre uma colaboração internacional para que os países tenham ações convergentes”, explicou Beirão, que coordenou a elaboração do documento.

Brasil

Ele cita como exemplo de pró-atividade para o estímulo a pesquisas com responsabilidade a criação, pelo CNPq, da Comissão de Integridade em Atividade Científica (Ciac). Composto por representantes de diferentes áreas do conhecimento, o grupo criou regras para a conduta ética nas pesquisas e analisa, em nível nacional, casos de suspeita de fraude.

O Ciac pode aplicar, no Brasil, punições ao pesquisador e à instituição de pesquisa, ambos responsáveis pela condução dos estudos. “Verificadas as falhas, a comissão pode dar uma advertência, cortar a bolsa ou impedir o pesquisador de receber outros benefícios do CNPq nos próximos anos ou permanentemente”, destacou Beirão.

Revistas científicas

O papel dos editores de revistas científicas também foi debatido no FMC. As publicações são responsáveis por levar o conhecimento ao público em geral.

A pesquisadora Indira Nath, do National Institute of Pathology (Índia), destacou que os periódicos especializados dependem da qualidade das pesquisas para ter credibilidade na comunidade científica.

“As revistas científicas devem priorizar os bons estudos e ter cuidado com os artigos sobre assuntos de grande repercussão no público em geral. A tentação em publicar os resultados de forma rápida pode causar danos à ciência caso o estudo tenha que ser retirado”.

(Fonte: Felipe Linhares – Ascom do MCTI/Foto: Cristina Lacerda)